Medula Óssea: Filhos de Sangue

Conheça a emocionante história da rotariana que doou medula óssea por duas vezes, salvando vidas e tornando-se um caso raro da medicina brasileira

Você doou medula óssea por duas vezes? Perguntamos com ar de incredulidade, justamente por sabermos como é difícil encontrar doador e receptor compatíveis. Sim, doei à Aline (*), em 1995, e ao Jorge (*), cinco anos depois, respondeu com a voz calma e firme, indicando a postura de uma professora de matemática que lecionou no ensino médio e fundamental. De aparência delicada, mãos pequenas e olhos assustados diante das câmeras do estúdio de TV, onde concedeu essa entrevista, Suely Moreira Walton (64 anos) mostrou força ao relatar histórias que a vida lhe reservou. Em 1992, diagnosticado com leucemia aos 34 anos de idade, morreu o seu irmão. Até então, o transplante no Brasil só era possível entre familiares.

Havia outras chances em bancos de medula óssea na Alemanha e nos Estados Unidos. Mas não houve êxito nas tentativas, e ela sentiu os ombros pesarem diante da incapacidade de salvar a vida do próprio irmão. Em 1993, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) criou o Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME), e passou a cadastrar doadores de todo o País. Suely tornou-se um dos anjos dispostos a doar vida, disponibilizando seus dados neste cadastro. Após três anos, um telefonema em sua casa fez o seu coração disparar. Era chegada a hora de comparecer ao Hospital das Clínicas de São Paulo para salvar a vida da Aline, uma menina de 11 anos, que estava com a saúde por um fio.

Hoje, com 32 anos, Aline Favoretto recorda que sua família descobriu a leucemia quando ela tinha apenas dois anos e meio de idade. Foi logo após acordar com sangramento e manchas roxas pelo corpo. Aquele dia, era pra ser como outro qualquer, mas não foi. Os sintomas surgiram do dia para a noite. Durante oito anos fiz tratamento no Centro Infantil Boldrini, até que minha saúde começou a piorar rapidamente e recebemos a notícia de que seria necessário um transplante. Sem nenhum parente compatível, a esperança ressurgiu quando o Hospital das Clínicas avisou que tinha um doador. Em 5 de outubro de 1995, recebi a medula da Suely. A tenho como uma mãe, pois me deu a vida outra vez, lembra com gratidão.

Suely não consegue esconder a emoção interna ao recordar tal momento. Com os olhos marejados, sua fala trouxe a explicação do que sentiu de imediato. Não acreditei que após a morte do meu irmão, a vida de alguém seria salva de um jeito tão especial. Fui uma das primeiras a me cadastrar no REDOME, mas nunca imaginei que receberia uma ligação. Após uma pequena pausa para segurar as lágrimas, o ambiente da entrevista fica em silêncio. Em seguida, uma declaração carregada de sentimento. Nasceram duas novas vidas e ganhei dois filhos de sangue. É amor incondicional o que sentimos um pelo outro.

As chances de encontrar um doador na família são de 25%. Entre não aparentados, a esperança cai para 5%. Qual a probabilidade de uma pessoa ser compatível com dois receptores? Estes percentuais tornam o caso muito raro na medicina brasileira. Não consigo mensurar a felicidade que sinto por ser a única pessoa no Brasil a salvar duas vidas assim. Recentemente, ela perdeu o marido que era rotariano e apoiador do projeto Salve uma Vida. David Anthony Walton estava debilitado pela radioterapia do tratamento contra um mal na garganta. O tumor já tinha sido resolvido, mas surgiu um outro problema no sistema nervoso central, o que causou a sua morte. Falar sobre câncer é algo que me emociona demais.

Projeto Salve uma Vida

Apoiado pelo Rotary Club de Santos - Porto, o Projeto Salve uma Vida foi idealizado por Suely. Tem como objetivo incentivar o cadastramento de voluntários no REDOME, aumentando as chances de cura dos portadores de leucemia e doenças autoimunes. Meu marido foi um dos fundadores do clube em 1992. Fui convidada a estar entre seus associados e apaixonei-me pelas ações sociais do Rotary. Diante da luta na conscientização sobre o transplante de medula e vendo a oportunidade de ser apoiada pelos companheiros, iniciei o Salve uma Vida. Além das campanhas de conscientização, o projeto também leva esclarecimento sobre os tipos de procedimentos usados na doação, esclarece a professora aposentada.

Suely enfatiza que é importante quebrar o tabu de sofrimento que envolve o transplante. Ela garante que não teve nenhum problema nas duas vezes que doou. Quando fui ajudar a Aline, meu sangue foi filtrado (aférese) por cinco horas para a retirada de células-tronco. Entrei e saí do hospital normalmente. Na segunda vez, a equipe médica optou pelo procedimento cirúrgico. Recebi anestesia e tive as células retiradas da bacia por meio de punções. Senti apenas um leve incômodo depois do efeito anestésico, mas voltei para casa dirigindo. Quanto mais informadas estiverem as pessoas, mais aumentam as chances para quem aguarda um doador, afirma sem esconder a esperança no olhar.

Com se tornar um doador

O Hemonúcleo de Santos/SP, localizado dentro do complexo do Hospital Guilherme Álvaro, faz o cadastramento de doadores. São colhidos apenas 5 ml de sangue para que sejam armazenados os dados biológicos da pessoa. O procedimento é indolor e pode ser feito normalmente por pessoas entre 18 e 55 anos de idade, desde que estejam com boa saúde. Segundo o Redome, o transplante é indicado para doenças relacionadas com a fabricação de células do sangue e com deficiências no sistema imunológico, como leucemias, linfomas, anemias graves e alguns tipos de tumores e doenças autoimunes.

Suely reforça a necessidade de manter o cadastro pessoal sempre atualizado, especialmente com os números de telefones da residência, trabalho, celular e recados. É de extrema importância que os dados de contato estejam em dia, pois pode aparecer um receptor a qualquer momento. Se o telefone estiver errado, perdemos a chance de salvar uma vida, pelo simples fato de não conseguir contato com o doador. O Hemonúcleo fica à Rua Oswaldo Cruz, 197 - Boqueirão - Santos/SP. O horário de atendimento é das 7h00 às 13h00, de segunda à sexta-feira. Mais informações pelo telefone (13) 3233-4265.

Sobre o REDOME

Foi criado em 1993, em São Paulo/SP, para reunir informações de pessoas dispostas a doar medula óssea para pacientes em fila de espera. Desde 1998, é coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), no Rio de Janeiro/RJ. Com mais de 3.700 milhões de doadores cadastrados, é o terceiro maior banco de doadores de medula óssea do mundo. Pertence ao Ministério da Saúde, sendo o maior banco com financiamento exclusivamente público.

O registro norte-americano conta com quase 7,9 milhões e o alemão com cerca de 6,2 milhões. Ambos foram desenvolvidos e mantidos com recursos privados. O Centro de Transplantes de Medula Óssea (CEMO/INCA) é responsável pela coordenação técnica e a Fundação do Câncer pela operação do REDOME, conforme publicado na Portaria 2.600, de 21 de outubro de 2009, do Ministério da Saúde. Mais informações sobre os locais de cadastro estão no site do REDOME (http://redome.inca.gov.br).


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